"O passado não reconhece o seu lugar... está sempre presente."
( Mário Quintana )
Vassourando - ativo desde 17/05/2007.

Oswaldo Montenegro - Metade

By Bruxx

São as músicas que, definitivamente, falam por mim.
É uma outra forma de eu me expressar.

Pode ser para você...
Pode ser, para alguém, em especial...
Para ninguém, em especial...
Ou, para todo mundo em especial.
Você, querido vassourante... é quem vai decidir, de que forma, vai conceber essa mensagem.

A música de hoje: Metade

Finalmente, depois de tantas especulações sobre a autoria dessa música, venho retificar no texto, graças à brilhante informação de um leitor.
Gostaria de dar o crédito pela informação mas, infelizmente, ele comenteu como "anônimo".
De qualquer forma, ele vai ficar sabendo, que sua colaboração foi valiosa.
Fica imperativo, o meu agradecimento.
Segue:

Metade é de autoria de Oswaldo Montenegro, que o lançou em 1975 no libreto da peça teatral João sem Nome.
Ferreira Gullar é autor do poema Traduzir-se, lançado no livro Vertigens do Dia, publicado em 1980. 
Os dois poemas tratam de um tema recorrente na literaura universal - os paradoxos do ser humano. 
Ambos, belíssimos poemas. 
(Transcrição fiel do comentário do leitor Anônimo)


Clique para assistir


Oswaldo Montenegro - Metade

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem
Inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso
Mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que convívio
comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é a platéia
E a outra metade é a canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

6 Comente aqui :

Belatrix vassourou...

Oi Bruxx!
Você viu a mensagem que deixei no seu Orkut? Tem um meme pra vc lá no meu blog.
Bjs...

AF STURT vassourou...

vc aceita parceria ,se sim confirme isso la na postagem mas recente do meu blog:
tudehistoria.blogspot.com

Vento Carioca vassourou...

Essa música é uma poesia, muito linda .
Beijokas

Humberto Firmo vassourou...

creio que nao seja do Ferreira Gullar, pois, apesar de conter metade em TRADUZIR-SE (esse sim do Ferreira), os poemas diferem.

Anônimo vassourou...

Metade é de autoria de Oswaldo Montenegro, que o lançou em 1975 no libreto da peça teatral João sem Nome. Ferreira Gullar é autor do poema Traduzir-se, lançado no livro Vertigens do Dia, publicado em 1980. Os dois poemas tratam de um tema recorrente na literaura universal - os paradoxos do ser humano. Ambos, belíssimos poemas.

Bruxx vassourou...

Oi Anônimo, tudo bem?
Que maravilha de explicação, adorei!
Menino, são tantas as versões, sobre a composição dessa música, não é mesmo?

E o seu comentário foi fantástico, com riqueza de detalhes... vou transcrevê-lo, na postagem.

Muito obrigada pelo esclarecimento.
Isso demosntra a sua sensibilidade e, eu juntamente com os fãs da duas obras, agradecemos.

Que pena que não deixou seu e-mail... gostaria de agradecê-lo diretamente.

Seja sempre bem vindo!
Beijokinhas cheias de energias azuis!

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