"O passado não reconhece o seu lugar... está sempre presente."
( Mário Quintana )
Vassourando - ativo desde 17/05/2007.

O Brasil do Lulla

By Bruxx
Recebí esse vídeo do meu amigo Wagner
E, como ele mesmo disse:
"Esse vídeo traduz a realidade do nosso país, da nossa política e da nossa gente."

Sem comentários.. o vídeo fala por sí.



Zé Ramalho - Esse não é o meu pais

Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas fico calado, faz de conta que sou mudo

Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas fico calado, faz de conta que sou mudo

Um país que crianças elimina
que não ouve o clamor dos esquecidos,
onde nunca os humildes são ouvidos
e uma elite sem Deus é quem domina.
Que permite um estupro em cada esquina
e a certeza da dúvida infeliz,
onde quem tem razão baixa a cerviz
e se massacram o negro e a mulher.
Pode ser o país de quem quiser,
mas não é, com certeza, o meu país.

Um país onde as leis são descartáveis
por ausência de códigos corretos,
com quarenta milhões de analfabetos
e maior multidão de miseráveis.
Um país onde os homens confiáveis
não têm voz, não têm vez, nem diretriz,
mas corruptos têm voz e vez e bis
e o respaldo de estímulo em comum.
Pode ser o país de qualquer um,
mas não é, com certeza, o meu país.

Um país que perdeu a identidade.
Sepultou o idioma português.
Aprendeu a falar pornofonês,
aderindo a global vulgaridade.
Um país que não tem capacidade
de saber o que pensa e o que diz
que não pode esconder a cicatriz
de um povo de bem que vive mal.
Pode ser o país do carnaval,
mas não é, com certeza, o meu país.

Um país que seus índios discrimina
e as ciências e as artes não respeita.
Um país que ainda se morre de maleita
por atraso geral da medicina.
Um país onde a escola não ensina
e hospital não dispõe de raios X.
Onde a gente do morro é feliz,
se tem água de chuva e luz do sol.
Pode ser o país do futebol,
mas não é, com certeza, o meu país.

Um país que é doente e não se cura
e quer ficar sempre no terceiro mundo.
Que do poço fatal chegou ao fundo,
sem saber emergir da noite escura.
Um país que engoliu a compostura,
atendendo a políticos sutis
que dividem o Brasil em mil brasis
pra melhor assaltar de ponta a ponta.
Pode ser o país do faz-de-conta,
mas não é, com certeza, o meu país.

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